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PT - Idioma: Português (Brasil)
MatemáticaEnsino superiorDifícil

Caixa sem tampa de volume máximo

De uma folha retangular de papelão de 30 cm×48 cm30\ \text{cm} \times 48\ \text{cm}, cortamos quatro quadrados iguais, de lado xx, um em cada canto. Depois, dobramos as abas para cima e obtemos uma caixa sem tampa em forma de paralelepípedo.

Qual deve ser a medida xx para que o volume da caixa seja o maior possível? Calcule esse volume.

Dicamostrar

Escreva as dimensões da caixa em função de xx: a altura é xx, e cada lado da base fica 2x2x menor que o lado correspondente da folha. Antes de procurar o máximo, descubra quais valores xx pode assumir.

Resoluçãotente resolver por conta própria primeiro

Passo 1. Escrevemos as dimensões da caixa

Como cortamos um quadrado em cada canto, cada lado da folha perde xx em cada ponta, ou seja, 2x2x no total. A base da caixa mede, então, (48−2x)(48 - 2x) por (30−2x)(30 - 2x), e a altura é o próprio xx:

a=48−2xb=30−2xh=x\begin{aligned} a &= 48 - 2x \\ b &= 30 - 2x \\ h &= x \end{aligned}

Passo 2. Determinamos o domínio do problema

Para a caixa existir, todas as dimensões precisam ser positivas. Da altura vem x>0x > 0, e da condição 30−2x>030 - 2x > 0 vem x<15x < 15. A condição 48−2x>048 - 2x > 0 dá x<24x < 24, mas isso já está garantido por x<15x < 15. Logo:

0<x<150 < x < 15

ou seja, x∈(0,15)x \in (0, 15).

Passo 3. Escrevemos a função volume

Queremos o volume como função de uma única variável, xx. O volume de um paralelepípedo é o produto das três dimensões:

V(x)=x(48−2x)(30−2x)V(x) = x(48 - 2x)(30 - 2x)

Aplicamos a distributiva nos dois parênteses e reduzimos os termos semelhantes:

(48−2x)(30−2x)=1440−96x−60x+4x2=4x2−156x+1440\begin{aligned} &(48 - 2x)(30 - 2x) \\ &= 1440 - 96x - 60x + 4x^2 \\ &= 4x^2 - 156x + 1440 \end{aligned}

Multiplicamos o resultado por xx:

V(x)=4x3−156x2+1440x\boxed{V(x) = 4x^3 - 156x^2 + 1440x}

Passo 4. Calculamos a derivada

Para achar os pontos críticos, precisamos da derivada. Derivamos termo a termo, pela regra da potência:

V′(x)=12x2−312x+1440V'(x) = 12x^2 - 312x + 1440

Colocamos o fator comum 1212 em evidência:

V′(x)=12(x2−26x+120)V'(x) = 12(x^2 - 26x + 120)

Passo 5. Encontramos as raízes da derivada

A derivada se anula quando x2−26x+120=0x^2 - 26x + 120 = 0. Resolvemos essa equação do 2º grau, começando pelo discriminante:

Δ=(−26)2−4⋅1⋅120=676−480=196\begin{aligned} \Delta &= (-26)^2 - 4 \cdot 1 \cdot 120 \\ &= 676 - 480 \\ &= 196 \end{aligned}

Então Δ=14\sqrt{\Delta} = 14 e, pela fórmula de Bhaskara, as raízes são:

x1=26−142=6x2=26+142=20\begin{aligned} x_1 &= \frac{26 - 14}{2} = 6 \\ x_2 &= \frac{26 + 14}{2} = 20 \end{aligned}

O número 2020 está fora do domínio (0,15)(0, 15), então, dentro dele, a derivada só se anula em x=6x = 6. Com as duas raízes, escrevemos a derivada na forma fatorada:

V′(x)=12(x−6)(x−20)V'(x) = 12(x - 6)(x - 20)

Passo 6. Estudamos o sinal da derivada no domínio

Para saber se em x=6x = 6 há mesmo um máximo, estudamos o sinal de V′V'. Para todo xx do domínio, o fator x−20x - 20 é negativo e o fator 1212 é positivo. Assim, o sinal da derivada depende só do fator x−6x - 6. Conferimos com dois valores de teste:

V′(1)=12⋅(−5)⋅(−19)=1140>0V′(10)=12⋅4⋅(−10)=−480<0\begin{aligned} V'(1) &= 12 \cdot (-5) \cdot (-19) \\ &= 1140 > 0 \\[4pt] V'(10) &= 12 \cdot 4 \cdot (-10) \\ &= -480 < 0 \end{aligned}
xx sinal de V′(x)V'(x) V(x)V(x)
(0,6)(0, 6) ++ crescente
66 00 máximo
(6,15)(6, 15) −- decrescente

A função VV é crescente em todo o intervalo (0,6](0, 6] e decrescente em todo o intervalo [6,15)[6, 15). Por isso, x=6x = 6 não é apenas um ponto de máximo local: é nele que VV atinge o maior valor em todo o domínio.

Passo 7. Calculamos o volume máximo

Substituímos x=6x = 6 nas dimensões da caixa:

a=48−12=36b=30−12=18h=6\begin{aligned} a &= 48 - 12 = 36 \\ b &= 30 - 12 = 18 \\ h &= 6 \end{aligned}

Multiplicamos as três dimensões:

V(6)=36⋅18⋅6=648⋅6=3888\begin{aligned} V(6) &= 36 \cdot 18 \cdot 6 \\ &= 648 \cdot 6 \\ &= 3888 \end{aligned}

Resposta

x=6 cm\boxed{x = 6\ \text{cm}}
Vmax⁡=3888 cm3\boxed{V_{\max} = 3888\ \text{cm}^3}

Devem ser cortados quadrados de 6 cm6\ \text{cm} de lado: a caixa fica com 36 cm×18 cm×6 cm36\ \text{cm} \times 18\ \text{cm} \times 6\ \text{cm} e tem o maior volume possível, 3888 cm33888\ \text{cm}^3.

A teoria por trás deste exercícioCurso: Derivadas do zero

Fontes

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  1. UFMS - Cálculo Diferencial e Integral I, de Magda e Henrique Mongelli (derivada da potência e da soma; intervalos de crescimento e decrescimento pelo sinal de f′; ponto crítico; exercício da caixa sem tampa de volume máximo, com quadrados iguais cortados dos cantos de um papelão) · CC BY-SA 4.0
  2. Amazônia - As transições dos estudantes entre panoramas do conceito de derivada (caixa aberta feita de uma folha de papelão, cortando quadrados iguais dos 4 cantos e dobrando os lados, para obter o volume máximo) · CC BY 4.0
  3. Bolema - Abordagem de máximos e mínimos em um curso universitário de Cálculo (problemas de otimização: obter o maior ou o menor valor de uma função em um intervalo e onde ele ocorre) · CC BY 4.0
  4. Wikilivros - Cálculo (Volume 1)/Aplicações das derivadas (números críticos e teste da derivada primeira: f′ > 0, função crescente; f′ < 0, função decrescente) · CC BY-SA 4.0
  5. REAMAT UFRGS - Pré-cálculo, Funções do 2º grau (discriminante Δ = b² − 4ac e raízes da equação do 2º grau) · CC BY-SA 3.0
  6. Active Calculus - 3.6 Applied Optimization (caixa aberta de papelão com quadrados cortados nos cantos; domínio da variável; estudo do sinal da derivada em um intervalo aberto) · CC BY-SA 4.0
  7. Wikipédia - Fórmula quadrática (no Brasil, conhecida como fórmula de Bhaskara; discriminante b² − 4ac) · CC BY-SA 4.0

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